Pão

          Durante muito tempo o “ Pão da Ovelhinha” foi denominado como sendo “ Pão de Padronelo” sem que das razões sejamos conhecedores profundos. No entanto, teremos que repor a verdade e afirmar que de facto o pão de quatro cantos é originário da Ovelhinha.

          Foi neste lugar de Gondar que surgiu a primeira padaria a fabricar este pão e a dá-lo a conhecer às regiões nas proximidades de Amarante. Apesar de não possuirmos qualquer tipo de documento que possa comprovar o que acabámos de afirmar, a memória das pessoas mais idosas e os inúmeros moinhos existentes na freguesia servirão de testemunho histórico.

          Inicialmente, as azenhas que se encontram nas margens dos dois rios que atravessam Gondar – o Ovelha e o Carneiro – serviam para a moagem de cereais para consumo das famílias suas proprietárias mas depressa se alargaram ao uso comunitário e começaram a servir a população. Actualmente nenhum deles está activo e apresentam alguns sinais de abandono mas ainda se aguentam firmes como se se tratassem de soldados que nunca abandonam o seu posto.

          A moagem de cereais está intimamente ligada à panificação. Actualmente, a freguesia de Gondar tem uma fábrica – Moagem de Gondar – que abastece as padarias da freguesia e que aos poucos foi substituindo os velhos moinhos acompanhando, por força do tempo, os avanços tecnológicos da nossa era.

Apesar de a primeira padaria ter tido a sua origem na Ovelhinha, como já foi referido, actualmente a panificação transferiu-se para outro lugar da freguesia – Chedas – que tão bem soube aproveitar a herança da sua irmã mais velha – a Ovelhinha – e que agora leva os quatro cantos aos quatro cantos de Portugal.

          O “Pão da Ovelhinha” é ainda produzido por algumas destas padarias segundo os moldes antigos que implicam a construção de um forno de barro, que o aquecimento do forno tenha que ser feito a lenha (utilizando a carqueja – abundante nesta região – como rastilho), que o pão seja tendido, isto é, que seja moldado pelas mãos dedicadas das padeiras até atingir a sua forma tão peculiar. Implica também que o pão seja couçado – Terminologia usada pelos padeiros e que significa que o pão é “ aconchegado” para que não perca a forma – em lençóis de linho e coberto com cobertores para ajudar na levedura do pão, ou seja para ajudar o pão a crescer.

          A reminiscência dos tempos antigos de fabricação do pão ainda continua viva na lembrança das pessoas mais idosas que, em tempo frio, como o que se faz sentir actualmente, se sentam à lareira e dão largas à sua memória e contam episódios passados na arte de bem fabricar.

 

 

 

Fonte: http://www.jf-gondar.pt

 

 

 

 

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