Medicina Popular

               Antigamente, as pessoas de Gondar tratavam-se de uma forma muito peculiar quando se encontravam com qualquer espécie de doença. Raras vezes iam ao médico e muito menos ingeriam qualquer medicamento ou antibiótico. Recorriam quase sempre, à bruxaria ou às mais variadas qualidades de plantas para fazerem remédios caseiros ou chás.

              As folhas das urtigas eram utilizadas para fazer chá para a tensão arterial e para os intestinos. A sua raiz era utilizada para fazer chá para as hemorragias e para a purifica­ção do sangue.

A tensão também poderia baixar com chá de folha de marmeleiro e de folha de oliveira; esta por sua vez também era recomendada para os problemas de fígado.

O chá de flor de tília era muito indicado para os nervos e para o bom funcionamento dos rins.

Para a má disposição fazia-se chá de cidreira (actualmente ainda fazemos em nossas casas).

O chá de ervas de S. Roberto, bem como o chá de macela faziam muito bem ao estômago.

As constipações, laringites , amigdalites e faringites eram curadas com chá de limão ou de laranja azeda.

Quando as crianças se encontravam com lombrigas (bichas) fazia-se chá de hortelã.

Para a diarreia fazia-se chá de pêras bravas. (perucas como o povo chamava).

As dores de barriga poderiam ser atenuadas com chá de limonete.

O chá de salsa era recomendado para o útero, estômago, ovários e também para a pele. As pessoas entendiam que este chá fazia tão bem que até diziam “quem salsa tiver, só tem doença se quiser”.

A flor de sabugueiro era sobretudo indicada para as infecções da vista, além de ser utilizada para desinfectar qualquer espécie de ferida ou irritação. A flor era cozida e fervida num pouco de água, deixava-se amornar e depois deitava-se à viste inflamada ou a qualquer outra parte afectada.

As folhas de eucalipto, de malvas e de nogueira eram utilizadas para fazer qualquer desinfecção. Em especial se se trata-se de feridas de golpes, irritações etc. Coziam-se e ferviam-se as folhas e seguidamente mergulhava-se a parte infectada na água que deveria estar o mais quente possível ou ainda se colocavam as folhas cozidas sobre a inflamação.

            Para as nascidas, espinhas bravas ou qualquer ferida com pus, cozia-se abóbora e colocava-se ainda quente no lugar afectado, pois a abóbora quente fazia rebentar o pus.

Quando as crianças estavam com sarampo eram embrulhadas num farrapo vermelho ou vestidas com roupa vermelha, era-lhes dado vinho tinto em grandes quantidades (note-se que tinha de ser necessariamente vinho tinto, nunca vinho branco) e eram bem agasalhadas.

As bexigas queriam ser “agasalhadas e não podiam ser coçadas” isto é, o doente não podia apanhar frio nem podia arranhar estando sujeito a ficar com cicatrizes.

Para as aftas utilizava-se mel ou bochechava-se vinagre com sal dissolvido. Esta segunda forma de tratamento era mais frequente no gado.

Quando os bebés apanhavam bichoco, pelo facto das suas fraldas terem corado nas ervas, este era talhado ou então dava-se a chupar ao bebé um pedaço de carne gorda de porco ou dava-se a beber vinho tinto com açúcar batido.

Para as frieiras, costumava pôr-se laranja azeda quente ou azeitonas quentes. Algumas pessoas chegavam ao ponto de fustigar a zona afectada com urtigas.

Quando alguém era picado por um lacrau (escorpião) então o remédio era também muito singular: apanhava-se o próprio animal, fritava-se em azeite caseiro e aquele molho era esfregado na respectiva mordedura.

Se as dores de cabeça fossem muito intensas, havia quem esfregasse urtigas.

Um outro remédio natural muito utilizado para a diarreia era além do sumo de laranja, farinha triga dissolvida num pouco de água fresca que o doente deveria tomar em jejum. Também se fazia caldo de arroz por lavar.

Para a fraqueza batia-se um ovo com café ou com vinho. Tudo isto nos mostra por um lado a preocupação do povo de Gondar em utilizar métodos naturais no tratamento das suas doenças e enfermidades.

Outro método muito usado era o de talhar as doenças.

 

 

 

 

 

Anúncios
%d bloggers like this: