Casa do Oleiro

A origem da olaria em Gondar, ainda hoje é alvo de várias questões, no entanto, com alguns elementos disponíveis, podemos dizer que a sua introdução tenha resultado da migração de artificies da área de S. Martinho de Mouros, onde esta actividade está documentada desde pelo menos o séc. XIV, mostrando um centro com grande vitalismo e vivacidade.

Os primeiros registos escritos que certificam a presença de oleiros em Gondar datam da década de 60 do séc. XVII e dirigem-se a personagens vindas do concelho de S. Martinho de Mouros.

Nos finais do séc. XVII e inícios do séc. XVIII existem várias referências sobre oleiros naturais das freguesias de S. Pedro de Paus e S. Martinho de Mouros, que se casam e instalam nos lugares de Vila Seca e Rio. No entanto, não sabemos ao certo os motivos pelos quais, estes habitantes escolheram Gondar para se fixar. Contudo, poderemos afirmar que a escolha da zona sudoeste da freguesia de Gondar não terá sido em vão. Para além do peso da romaria de S. Gonçalo de Amarante terá exercido sobre as gentes do Douro Sul, o relacionamento comercial de vários pontos das Beiras com Amarante, mormente pelo nó viário constituído por Gondar ao implantar-se no eixo de ligação do Sul do Douro com a região do Porto e de Guimarães. A frequente presença de mercadores da Serra da Estrela nesta zona, pôde certamente ilustrar algum movimento. 

Logo no início do séc. XVIII a instalação de oficinas de olaria junto aos eixos viários que fazem a ligação de Amarante, Vila Real e Mesão Frio/Lamego multiplicaram-se, constituíndo um arco em torno das aldeias de Vila Seca, Rio, Outeirinho e Corujeiras, em Gondar e facilitando o aparecimento de uma oficina no lugar da Torre, da freguesia de Padronelo.

Já no séc. XIX a expansão do centro oleiro atinge a sua máxima amplitude, alargando-se para os lugares de Moutas, Estrada Nova, Mosteiro, Larim, Valinhas, Escondido, Chedas e Vale de Moinhos, em Gondar, e para as freguesias de Padronelo, Bustelo, Carneiro e Carvalho de Rei.

 

 

 

 

Fonte: DINIS, António Pereira; AMARAL, Paulo – Gondar, O Percurso de Um Centro Oleiro, in Actas do Congresso Histórico 98, Amarante: Câmara Municipal de Amarante, 1998, vol.III, pp. 222-225.

 

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